quarta-feira, 15 de julho de 2015
Temporal
Você era temporal
Chegou depois do céu fechado
O escuro do horizonte
Cantava a sua chegada
Você veio lavando meus pecados
Molhando meus cabelos
Encharcando minha roupa
Ensurdeceu
Cegou
Calou
Sim,
Teus beijos calaram
A minha voz
O que era convicção
E passou
Nenhum temporal
Fica
Nem mesmo o inverno
Se faz eterno
O cinza do céu de antes
Abriu em um tom de azul
A chuva do fim de tarde
Me traz paz
Não encharca
Molha morosamente
A flor de inverno
Do temporal.
domingo, 12 de julho de 2015
Distâncias
Estive pensando sobre distâncias.
Há uma grande diferença entre estar distante e sentir-se distante. Quando se
está distante, nem sempre a distância é sentida em todos os seus espaços. Ao
sentir-se distante, às vezes, ocupa-se o mesmo momento, o mesmo gesto e a
proximidade não é percebida, não é quista. Observando quadros, pergunto-me: “O
que me parece mais doloroso?”, Seria estar distante e desejar estar perto? Ou,
encontrar-se perto e sentir-se há algumas milhas daquele instante? Bem, assim
como outras perguntas que me surgem, não sei responder. Algumas coisas têm suas
respostas inexatas, suscetíveis ao ontem, ao hoje, ao amanhã, ao que se sente.
Estar distante ou sentir-se
distante, ambas são situações dolorosas. Por um lado se quer compartilhar um
riso, um suco, um abraço e não se pode. Não se pode tocar, olhar dentro dos
olhos, ver brotar uma lágrima. É estar condenado a querer sempre mais e
contentar-se com um pouco menos. Por outro, sentir-se distante te priva os
instantes de felicidade, de companhia, de estar junto. É ter e não ter de fato.
É poder e não querer. Dói e às vezes não se pode compreender facilmente.
Mas, há beleza na distância.
É bonito acreditar que duas vidas existem sob o mesmo céu e mantêm-se unidas enquanto separadas. É bonito ouvir uma música e lembrar-se de alguém que não está todos os dias sob seus olhos, mas, pode ser encontrado todos os dias em seu coração. É bonito acreditar que se divide o mesmo horizonte, a mesma lua, sol e possivelmente as mesmas estrelas. É bonito amar, querer bem, o que não está ao alcance de imediato. E o mais bonito da distância encontra-se no que esta ensina. Estar distante, ou, sentir-se distante ensina a valorizar cada pedacinho de tempo juntos. Ensina que a saudade que importuna os dias e os momentos se desfaz em um abraço, em ouvir o coração do outro, em olhar profundamente para aqueles olhos tenros. Sobretudo, em questões de distância, há de se entender que o problema não é a sua existência, é o que se faz com ela.
É bonito acreditar que duas vidas existem sob o mesmo céu e mantêm-se unidas enquanto separadas. É bonito ouvir uma música e lembrar-se de alguém que não está todos os dias sob seus olhos, mas, pode ser encontrado todos os dias em seu coração. É bonito acreditar que se divide o mesmo horizonte, a mesma lua, sol e possivelmente as mesmas estrelas. É bonito amar, querer bem, o que não está ao alcance de imediato. E o mais bonito da distância encontra-se no que esta ensina. Estar distante, ou, sentir-se distante ensina a valorizar cada pedacinho de tempo juntos. Ensina que a saudade que importuna os dias e os momentos se desfaz em um abraço, em ouvir o coração do outro, em olhar profundamente para aqueles olhos tenros. Sobretudo, em questões de distância, há de se entender que o problema não é a sua existência, é o que se faz com ela.
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