A sua voz
Trouxe o céu ao meu alcance
É como uma caneca de café quente
Naqueles dias sonolentos
Tudo que eu preciso
para amanhecer
Bem,
É terno me ver em seus olhos
Fitá-los
Me encontrar nesses instantes
É uma certeza grata
Vívida
Te escreveria mais que mil poemas
Simetricamente parecidos
Distintos
em
Afeto
Te escreveria lembranças
Memórias
Nossa história
perduraria
a nós
como todas as histórias que li
ficaríamos ali
intactos
caídos
Como em fotografias
Contudo,
nem uma odisseia explicaria
a exuberância bela
que invade os meus dias
sob a sua existência
Nem os inúmeros cafés
Discussões
Livros
Equações
Poemas
Risos
Tratam significativamente
a singularidade
da sua vinda
da sua ´presença
Em minha vida
Flores que nunca chegam
domingo, 21 de fevereiro de 2016
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Guarda-roupa
O que acalma é sossego
É incerteza feliz
Dúvida inflama
Instiga
Não se trata de estar sempre certo
Saber de tudo
Não deixar que nada escape
É apenas saber sobre o que apetece
O que se gosta
O que deve ser mantido no guarda-roupa
O que doar
Para não doer.
É incerteza feliz
Dúvida inflama
Instiga
Não se trata de estar sempre certo
Saber de tudo
Não deixar que nada escape
É apenas saber sobre o que apetece
O que se gosta
O que deve ser mantido no guarda-roupa
O que doar
Para não doer.
domingo, 22 de novembro de 2015
Conjugação
Não será hoje. Talvez nem seja amanhã. Algumas coisas são para o ontem, outras, de presente... E umas outras estão mesmo no depois. Tudo tem sua certeza, cada coisa se conjuga em seu tempo e cada verbo ao seu modo.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Bagagens
Todas as vezes em que estou arrumando minhas coisas para viajar, meu pai me pergunta: "Para que tanta bagagem?". Eu sempre dou a mesma explicação:"é melhor estar prevenida. Eu não sei o que pode acontecer na viagem!". Já fiz malas enormes, pesadas e nunca usei todas as roupas, todos os brincos, sapatos e nem li todos os livros que levei. Hoje, eu me peguei refletindo : "Para que tanta bagagem?", "Será que uma mala mais leve não seria mais prática?", "Eu poderia deixar algumas coisas que não me serão necessárias...".
O curioso foi perceber que a minha principal dificuldade era classificar alguns itens como necessários ou não necessários. Por exemplo, observei uma sandália azul de salto de uns 15 cm, embora já tivessem outras sandálias na mala, eu insistia em levá-la. Em meio a reflexão, me questionei sobre o caráter necessário daquela sandália. Por sua vez, depois de considerar que a sandália era bonita, estava na moda e me deixaria mais alta, me peguei pensando que naquela viagem ela provavelmente não seria usada, não seria útil, só "pesaria na mala". Então, deixei-a. E instintivamente comecei a refletir sobre a minha vida, coisa que faço bastante, especialmente nos últimos anos.
Pensei na bagagem da minha vida, nas coisas que me são necessárias e em quantas "sandálias azuis" eu estaria carregando na minha mala. Pensei em quanto peso desnecessário eu carrego. No quão cheia poderia estar a minha mala, e especialmente, pensei nas coisas e que eu podia escolher entre deixá-las e levá-las comigo. Em uma auto-investigação, comecei a perceber as sandálias azuis da minha bagagem para a vida. Comecei a encontrar sentimentos, momentos, hábitos, pessoas, roupas velhas e mais um monte de coisas que poderiam ser deixadas para trás porque simplesmente não preciso delas. Uma parte já foi necessária, teve razão de estar ali, mas, não agrega mais valor.
Alguns amores precisavam sair definitivamente da minha bagagem para que outros pudessem entrar. Alguns hábitos que me faziam mal, ou não me acresciam em nada, precisavam dar lugar a hábitos saudáveis, que enriquecessem a minha longa viagem. Algumas pessoas precisavam ser deixadas. Me senti mal em pensar em um "descarte" de pessoas, mas, foi preciso me conscientizar de que a gente tem que estar cercado de quem nos quer bem, de quem a gente gosta e não de todo mundo. Até porque, todo mundo não cabe na minha mala, nem na de ninguém.
Pensei na bagagem da minha vida, nas coisas que me são necessárias e em quantas "sandálias azuis" eu estaria carregando na minha mala. Pensei em quanto peso desnecessário eu carrego. No quão cheia poderia estar a minha mala, e especialmente, pensei nas coisas e que eu podia escolher entre deixá-las e levá-las comigo. Em uma auto-investigação, comecei a perceber as sandálias azuis da minha bagagem para a vida. Comecei a encontrar sentimentos, momentos, hábitos, pessoas, roupas velhas e mais um monte de coisas que poderiam ser deixadas para trás porque simplesmente não preciso delas. Uma parte já foi necessária, teve razão de estar ali, mas, não agrega mais valor.
Alguns amores precisavam sair definitivamente da minha bagagem para que outros pudessem entrar. Alguns hábitos que me faziam mal, ou não me acresciam em nada, precisavam dar lugar a hábitos saudáveis, que enriquecessem a minha longa viagem. Algumas pessoas precisavam ser deixadas. Me senti mal em pensar em um "descarte" de pessoas, mas, foi preciso me conscientizar de que a gente tem que estar cercado de quem nos quer bem, de quem a gente gosta e não de todo mundo. Até porque, todo mundo não cabe na minha mala, nem na de ninguém.
Ainda havia muita coisa para ser deixada, muitos sentimentos, livros que já foram lidos e coisas que já estavam guardadas em mim e não precisavam de tanto espaço na minha vida. Mas, eu pude perceber que ao contrário da mala que eu fechei para viajar, sem a sandália azul e uma porção de coisas, a bagagem que a gente carrega na vida deve ser constantemente aberta, arrumada, desarrumada, revista... Primeiro porque precisamos de espaço para que as mudanças surjam, que coisas novas possam pertencer a nossa bagagem. Segundo, porque a vida é uma viagem constante, nós decidimos constantemente o que deixamos e o que levamos. Tem coisas que levamos para sempre, outras a gente não precisa carregar por tanto tempo. E terceiro, bagagem pesada demais dói, cansa, sufoca, estressa, mata... E o mais importante, a nossa bagagem só se fecha quando deixamos de viver, enquanto houver a viagem, a vida, há escolhas para fazer.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Devaneio
Inúmeras vezes compartilhamos os mesmos ponteiros, o mesmo vão. Suas histórias descabidas me fazem rir. E cada riso irradia a nossa cumplicidade voluntária, graciosa. Em meio a tantas besteiras, artimanhas para me arrastar à insônia, escapam-me os segredos. Somem as minhas ressalvas. Já me flagrei repetindo os instantes, pensando demasiadamente em você. Confesso que de vez em quando, imagino-me partilhando de um mesmo afago sorrateiramente cálido contigo. Imagino o teu olhar sereno pousado sobre o meu sono, velando cada peça da minha respiração e me fazendo sorrir vagarosamente. O entrelaço de pernas, o silêncio consentido. Sem palavras que precisam ser urgentemente ditas. Só a distração da entrega, do que foi vivido. Não ousaria jogar seu jogo. Não me encaixaria nesse seu seu tabuleiro parvo, nessas suas regras fingidas. Mas não me sossega não te ter. Ensejo o dia que em meio aos descuidos da vida seus olhos astutos com os meus se cruzem. Que você fuja ou por sorte fique, para que finalmente possa lhes dizer, o que eu preciso dizer.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Ensaio para o verão
Quando brota a primeira flor, o céu mais límpido, o ensaio para o verão.
Ahh, a primavera. O florescimento. Ficam para trás os dias nublados, o frio, a
reclusão do inverno. A resiliência das flores enobrece as paisagens. Colorem. A
aurora do verão se inicia, o perfume da vida se espalha. "E por que perder
tempo falando sobre a primavera?"
E por que não ser
primavera? É tempo de flores-ser.
Deixar o sol clarear mais cedo. Inspirar-se nos girassóis que
pacientemente esperaram para florescer. Deixar pra trás tudo o que foi inverno,
esquecer o frio e exuberar a beleza da sobrevivência. A primavera é tempo de se
abrir. É tempo de ser jardim. É tempo de ser flor. Ter perfume, cor e
vida. Ser presente, agrado, amor. É tempo de irradiar beleza sem preocupar-se
em um dia murchar. Ser bonito porque se é, exaltar a essência, a beleza de ser.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Temporal
Você era temporal
Chegou depois do céu fechado
O escuro do horizonte
Cantava a sua chegada
Você veio lavando meus pecados
Molhando meus cabelos
Encharcando minha roupa
Ensurdeceu
Cegou
Calou
Sim,
Teus beijos calaram
A minha voz
O que era convicção
E passou
Nenhum temporal
Fica
Nem mesmo o inverno
Se faz eterno
O cinza do céu de antes
Abriu em um tom de azul
A chuva do fim de tarde
Me traz paz
Não encharca
Molha morosamente
A flor de inverno
Do temporal.
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