domingo, 22 de novembro de 2015
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Bagagens
Todas as vezes em que estou arrumando minhas coisas para viajar, meu pai me pergunta: "Para que tanta bagagem?". Eu sempre dou a mesma explicação:"é melhor estar prevenida. Eu não sei o que pode acontecer na viagem!". Já fiz malas enormes, pesadas e nunca usei todas as roupas, todos os brincos, sapatos e nem li todos os livros que levei. Hoje, eu me peguei refletindo : "Para que tanta bagagem?", "Será que uma mala mais leve não seria mais prática?", "Eu poderia deixar algumas coisas que não me serão necessárias...".
O curioso foi perceber que a minha principal dificuldade era classificar alguns itens como necessários ou não necessários. Por exemplo, observei uma sandália azul de salto de uns 15 cm, embora já tivessem outras sandálias na mala, eu insistia em levá-la. Em meio a reflexão, me questionei sobre o caráter necessário daquela sandália. Por sua vez, depois de considerar que a sandália era bonita, estava na moda e me deixaria mais alta, me peguei pensando que naquela viagem ela provavelmente não seria usada, não seria útil, só "pesaria na mala". Então, deixei-a. E instintivamente comecei a refletir sobre a minha vida, coisa que faço bastante, especialmente nos últimos anos.
Pensei na bagagem da minha vida, nas coisas que me são necessárias e em quantas "sandálias azuis" eu estaria carregando na minha mala. Pensei em quanto peso desnecessário eu carrego. No quão cheia poderia estar a minha mala, e especialmente, pensei nas coisas e que eu podia escolher entre deixá-las e levá-las comigo. Em uma auto-investigação, comecei a perceber as sandálias azuis da minha bagagem para a vida. Comecei a encontrar sentimentos, momentos, hábitos, pessoas, roupas velhas e mais um monte de coisas que poderiam ser deixadas para trás porque simplesmente não preciso delas. Uma parte já foi necessária, teve razão de estar ali, mas, não agrega mais valor.
Alguns amores precisavam sair definitivamente da minha bagagem para que outros pudessem entrar. Alguns hábitos que me faziam mal, ou não me acresciam em nada, precisavam dar lugar a hábitos saudáveis, que enriquecessem a minha longa viagem. Algumas pessoas precisavam ser deixadas. Me senti mal em pensar em um "descarte" de pessoas, mas, foi preciso me conscientizar de que a gente tem que estar cercado de quem nos quer bem, de quem a gente gosta e não de todo mundo. Até porque, todo mundo não cabe na minha mala, nem na de ninguém.
Pensei na bagagem da minha vida, nas coisas que me são necessárias e em quantas "sandálias azuis" eu estaria carregando na minha mala. Pensei em quanto peso desnecessário eu carrego. No quão cheia poderia estar a minha mala, e especialmente, pensei nas coisas e que eu podia escolher entre deixá-las e levá-las comigo. Em uma auto-investigação, comecei a perceber as sandálias azuis da minha bagagem para a vida. Comecei a encontrar sentimentos, momentos, hábitos, pessoas, roupas velhas e mais um monte de coisas que poderiam ser deixadas para trás porque simplesmente não preciso delas. Uma parte já foi necessária, teve razão de estar ali, mas, não agrega mais valor.
Alguns amores precisavam sair definitivamente da minha bagagem para que outros pudessem entrar. Alguns hábitos que me faziam mal, ou não me acresciam em nada, precisavam dar lugar a hábitos saudáveis, que enriquecessem a minha longa viagem. Algumas pessoas precisavam ser deixadas. Me senti mal em pensar em um "descarte" de pessoas, mas, foi preciso me conscientizar de que a gente tem que estar cercado de quem nos quer bem, de quem a gente gosta e não de todo mundo. Até porque, todo mundo não cabe na minha mala, nem na de ninguém.
Ainda havia muita coisa para ser deixada, muitos sentimentos, livros que já foram lidos e coisas que já estavam guardadas em mim e não precisavam de tanto espaço na minha vida. Mas, eu pude perceber que ao contrário da mala que eu fechei para viajar, sem a sandália azul e uma porção de coisas, a bagagem que a gente carrega na vida deve ser constantemente aberta, arrumada, desarrumada, revista... Primeiro porque precisamos de espaço para que as mudanças surjam, que coisas novas possam pertencer a nossa bagagem. Segundo, porque a vida é uma viagem constante, nós decidimos constantemente o que deixamos e o que levamos. Tem coisas que levamos para sempre, outras a gente não precisa carregar por tanto tempo. E terceiro, bagagem pesada demais dói, cansa, sufoca, estressa, mata... E o mais importante, a nossa bagagem só se fecha quando deixamos de viver, enquanto houver a viagem, a vida, há escolhas para fazer.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Devaneio
Inúmeras vezes compartilhamos os mesmos ponteiros, o mesmo vão. Suas histórias descabidas me fazem rir. E cada riso irradia a nossa cumplicidade voluntária, graciosa. Em meio a tantas besteiras, artimanhas para me arrastar à insônia, escapam-me os segredos. Somem as minhas ressalvas. Já me flagrei repetindo os instantes, pensando demasiadamente em você. Confesso que de vez em quando, imagino-me partilhando de um mesmo afago sorrateiramente cálido contigo. Imagino o teu olhar sereno pousado sobre o meu sono, velando cada peça da minha respiração e me fazendo sorrir vagarosamente. O entrelaço de pernas, o silêncio consentido. Sem palavras que precisam ser urgentemente ditas. Só a distração da entrega, do que foi vivido. Não ousaria jogar seu jogo. Não me encaixaria nesse seu seu tabuleiro parvo, nessas suas regras fingidas. Mas não me sossega não te ter. Ensejo o dia que em meio aos descuidos da vida seus olhos astutos com os meus se cruzem. Que você fuja ou por sorte fique, para que finalmente possa lhes dizer, o que eu preciso dizer.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Ensaio para o verão
Quando brota a primeira flor, o céu mais límpido, o ensaio para o verão.
Ahh, a primavera. O florescimento. Ficam para trás os dias nublados, o frio, a
reclusão do inverno. A resiliência das flores enobrece as paisagens. Colorem. A
aurora do verão se inicia, o perfume da vida se espalha. "E por que perder
tempo falando sobre a primavera?"
E por que não ser
primavera? É tempo de flores-ser.
Deixar o sol clarear mais cedo. Inspirar-se nos girassóis que
pacientemente esperaram para florescer. Deixar pra trás tudo o que foi inverno,
esquecer o frio e exuberar a beleza da sobrevivência. A primavera é tempo de se
abrir. É tempo de ser jardim. É tempo de ser flor. Ter perfume, cor e
vida. Ser presente, agrado, amor. É tempo de irradiar beleza sem preocupar-se
em um dia murchar. Ser bonito porque se é, exaltar a essência, a beleza de ser.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Temporal
Você era temporal
Chegou depois do céu fechado
O escuro do horizonte
Cantava a sua chegada
Você veio lavando meus pecados
Molhando meus cabelos
Encharcando minha roupa
Ensurdeceu
Cegou
Calou
Sim,
Teus beijos calaram
A minha voz
O que era convicção
E passou
Nenhum temporal
Fica
Nem mesmo o inverno
Se faz eterno
O cinza do céu de antes
Abriu em um tom de azul
A chuva do fim de tarde
Me traz paz
Não encharca
Molha morosamente
A flor de inverno
Do temporal.
domingo, 12 de julho de 2015
Distâncias
Estive pensando sobre distâncias.
Há uma grande diferença entre estar distante e sentir-se distante. Quando se
está distante, nem sempre a distância é sentida em todos os seus espaços. Ao
sentir-se distante, às vezes, ocupa-se o mesmo momento, o mesmo gesto e a
proximidade não é percebida, não é quista. Observando quadros, pergunto-me: “O
que me parece mais doloroso?”, Seria estar distante e desejar estar perto? Ou,
encontrar-se perto e sentir-se há algumas milhas daquele instante? Bem, assim
como outras perguntas que me surgem, não sei responder. Algumas coisas têm suas
respostas inexatas, suscetíveis ao ontem, ao hoje, ao amanhã, ao que se sente.
Estar distante ou sentir-se
distante, ambas são situações dolorosas. Por um lado se quer compartilhar um
riso, um suco, um abraço e não se pode. Não se pode tocar, olhar dentro dos
olhos, ver brotar uma lágrima. É estar condenado a querer sempre mais e
contentar-se com um pouco menos. Por outro, sentir-se distante te priva os
instantes de felicidade, de companhia, de estar junto. É ter e não ter de fato.
É poder e não querer. Dói e às vezes não se pode compreender facilmente.
Mas, há beleza na distância.
É bonito acreditar que duas vidas existem sob o mesmo céu e mantêm-se unidas enquanto separadas. É bonito ouvir uma música e lembrar-se de alguém que não está todos os dias sob seus olhos, mas, pode ser encontrado todos os dias em seu coração. É bonito acreditar que se divide o mesmo horizonte, a mesma lua, sol e possivelmente as mesmas estrelas. É bonito amar, querer bem, o que não está ao alcance de imediato. E o mais bonito da distância encontra-se no que esta ensina. Estar distante, ou, sentir-se distante ensina a valorizar cada pedacinho de tempo juntos. Ensina que a saudade que importuna os dias e os momentos se desfaz em um abraço, em ouvir o coração do outro, em olhar profundamente para aqueles olhos tenros. Sobretudo, em questões de distância, há de se entender que o problema não é a sua existência, é o que se faz com ela.
É bonito acreditar que duas vidas existem sob o mesmo céu e mantêm-se unidas enquanto separadas. É bonito ouvir uma música e lembrar-se de alguém que não está todos os dias sob seus olhos, mas, pode ser encontrado todos os dias em seu coração. É bonito acreditar que se divide o mesmo horizonte, a mesma lua, sol e possivelmente as mesmas estrelas. É bonito amar, querer bem, o que não está ao alcance de imediato. E o mais bonito da distância encontra-se no que esta ensina. Estar distante, ou, sentir-se distante ensina a valorizar cada pedacinho de tempo juntos. Ensina que a saudade que importuna os dias e os momentos se desfaz em um abraço, em ouvir o coração do outro, em olhar profundamente para aqueles olhos tenros. Sobretudo, em questões de distância, há de se entender que o problema não é a sua existência, é o que se faz com ela.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Se for só pra te ver
Você me pediu para voltar,
que comigo queria estar.
Mas, ainda não estou certa,
às vezes a saudade aperta.
Sigo nessa indecisão...
O teu nome escrevo em uma oração...
Quem sabe o céu tem uma resposta,
para uma questão tão torta...
Já foi tudo tão seu!
Tudo que hoje é meu.
Você teve meu ontem.
Teve tudo o que eu tinha...
Todas as minhas mais bonitas palavras,
cada risada minha.
Mas não é teu o meu amanhã.
Não mais me escondo das manhãs.
Mas se for só pra te ver,
Só te ouvir gargalhar,
Sem teus lábios tocar...
Eu esqueço o não em mim,
e assim que o céu abrir...
e assim que o céu abrir...
Eu vou,
Eu vou voando.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Sobre o amor
O amor é um encontro. É uma escolha. É um querer. É dividir. É ter. É encontrar alguém que te toca tão profundo que você nem ousaria explicar. É escolher esse alguém para estar em seus planos, é escolher um alguém para dividir. É dividir as horas, os sorrisos, as lágrimas, os dias, lembranças, uma fotografia... O amor é querer. Querer estar perto, querer bem, querer lembrar uma data especial, querer ouvir o som daquela risada. É querer um alguém específico em meio a uma multidão de outros. É ter uma conversa guardada para reler sempre que a saudade bate, é ter um sentido pra aquela música favorita, é ter um sorriso involuntário antes de dormir. O amor, é, sobretudo, ter a certeza de que nada seria igual sem aquele encontro. De que a vida não seria a mesma se não houvessem todas as horas compartilhadas, brigas em vão, todo o querer. O amor é mais que escolher, o amor é abrir o seu mundo e vê-lo nunca mais girar igual.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Nunca fui completude
Nunca fui completude. Nunca fui exata como um sim, ou, um não. Em algumas vezes fui apenas ir ou ficar, sorrir ou chorar, desistir ou continuar. Em outras me senti como abraços quentes em despedidas gélidas. Já disse não com a boca e gritei sim com os olhos. Ja ri tanto em meio às minhas lágrimas, que gargalhei meu pranto. Às vezes quis esquecer lembrando. Já senti tanto. Já senti mais. Já senti menos. Nunca fui simples. Na verdade nem sou. Sou um livro vivo de páginas intensas. Nem sempre me mostro atraente. Tenho a alma inquieta e os olhos serenos. Sou flor, caule e chuva. Preciso de terra e raiz. Me alimento de escolhas e entregas e preciso demasiadamente ser livre para não me tornar infeliz.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Uma vida inteira
Desde que me situei na minha existência, muito construí. Diria ingenuamente que construí uma vida inteira, mas, o inteiro é demasiado para quem ainda tem muito para viver. Tive dias intermináveis que findaram, e dias que poderiam ter sido infinitos. Mas, todos passaram. Hoje não tenho mais a doçura dos 16 anos, reconheço a minha pouca amargura. Haveria um modo de amadurecer sem perder sequer um triz da doçura? Eu sinceramente acredito que não. Já não tenho mais tanto medo de ir. Ir às vezes é preciso. Necessário. Tampouco hesito em ficar. Fico quando me apetece, quando quero. Quando preciso. Rasguei cartas de amor tolas, mas, guardo palavras apaixonadas ainda mais tolas em meu coração. Se eu pudesse reescreveria alguns momentos, outros, recriaria iguais, só para vivê-los outra vez. Não desperdiço mais um sorriso, mas, ainda, desperdiço lágrimas. Jogo-as em um ventilador enorme, para que corram e sejam sentidas. Nem sempre desaguam tristezas, já jorrei lágrimas felizes em muitos dos meus dias. Não tenho tanta pressa, e talvez, nem tanto tempo. Mas, vou continuar construindo a minha vida inteira. Um dia ela será uma vida inteira. Uma vida inteira de momentos que vivi. Uma vida inteira... Que sempre foi e sempre será mais minha do que de qualquer outro alguém.
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