Inúmeras vezes compartilhamos os mesmos ponteiros, o mesmo vão. Suas histórias descabidas me fazem rir. E cada riso irradia a nossa cumplicidade voluntária, graciosa. Em meio a tantas besteiras, artimanhas para me arrastar à insônia, escapam-me os segredos. Somem as minhas ressalvas. Já me flagrei repetindo os instantes, pensando demasiadamente em você. Confesso que de vez em quando, imagino-me partilhando de um mesmo afago sorrateiramente cálido contigo. Imagino o teu olhar sereno pousado sobre o meu sono, velando cada peça da minha respiração e me fazendo sorrir vagarosamente. O entrelaço de pernas, o silêncio consentido. Sem palavras que precisam ser urgentemente ditas. Só a distração da entrega, do que foi vivido. Não ousaria jogar seu jogo. Não me encaixaria nesse seu seu tabuleiro parvo, nessas suas regras fingidas. Mas não me sossega não te ter. Ensejo o dia que em meio aos descuidos da vida seus olhos astutos com os meus se cruzem. Que você fuja ou por sorte fique, para que finalmente possa lhes dizer, o que eu preciso dizer.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Devaneio
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